quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

She e a arte de fazer um bom filme ruim

A década de 80 foi um período fértil em filmes que mostram o caos que pode reinar na humanidade após a terceira guerra mundial, após algum holocausto nuclear, um dilúvio ou uma final de grenal.

Esses filmes distópicos geralmente tinham em comum elementos característicos, tais como cenários desérticos, cidades em ruínas, sociedade desorganizada, punks motoqueiros e mulheres que vestiam trajes de couro oriundos de um sex shop de esquina.

Talvez os filmes mais representantes desse “subgênero” sejam os da trilogia Mad Max, especialmente as duas sequências. Mas se esses filmes protagonizados por Mel Gibson eram, pelo menos bem feitos, não é o mesmo que se pode falar do longa-metragem “She”, concebido em 1982.

Protagonizado pela loira Sandahl Bergman, “She” é uma daquelas aventuras tão fuleiras que é impossível não cair da cadeira de tanto rir. A sinopse é simples: Em um mundo pós-apocalíptico dominado por tribos de guerreiros e líderes fanáticos, dois irmãos tentam resgatar a irmã mais nova das garras de um hediondo vilão. Para isso, eles contam com o auxílio de “She”, uma guerreira tão fodona que parece uma cruza de Conan com Chuck Norris.

A estrutura do filme é aquela típica jornada estilo “Mágico de Oz”. Se no filme de 1939 dirigido por Victor Flemming, a menina Dorothy encontrou um Espantalho falante e outros personagens estranhos, em “She” os heróis se deparam com perigosas tribos de lobisomens que praticam orgias, nazistas, gladiadores que usam uniforme de futebol americano, comunistas psíquicos (nem tende entender!), múmias com óculos de sol e, finalmente, os famigerados Norks (?????).

O senso comum acredita que os filmes pós-apocalípticos são produções tipicamente norte-americanas, embora todos saibam que no decorrer da história tudo que é país possuiu os seus cineastas que faziam as suas “previsões horrendas do futuro”. No caso o filme “She”, dirigido e roteirizado por um israelense chamado Avi Nesher, trata-se de uma bomba oriunda da Itália.

Mas quem é a tal “She”? Ela é um pássaro? É um avião? Não incauto leitor, ela é a atriz Sandahl Bergman, que na época aparecia em todo e qualquer filme “B” que exigia “moça-forte-com-capacidade-física-para-fazer-um-exército-romano-inteiro-chamar-pela-mamãe”.

Sandahl Bergman, além de ser bailarina e dublê, fez parte de tralhas do porte de “Escola de Aeromoças”, “Hell Comes to Frogtown” e uma participação no musical “Xanadu” (isso mesmo, aquele com a Olívia Newton-John e o Gene Kelly). Porém ela ganhou mais notoriedade quando atuou como Valeria ao lado do Arnoldão em “Conan – O Bárbaro”, dirigido em 1982 por John Milius.

De qualquer forma, “She” é mais um desses “bons filmes ruins” que se não funcionam como um cinema sério, pelo menos provocam sonoras gargalhadas.

Em tempo: Na trilha sonora desse filme os ouvidos mais atentos irão detectar uma música do Motorhead.

1 comentários:

  1. Pelo jeito esse filme consegue ser mais tosco que o "Robot Holocaust", ou "Holocaust Robot", a tralha é tão ruim que eu nunca sei o nome certo.

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