quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Phenomena - Um clássico do Dario Argento

Se existe uma coisa que é inerente ao comportamento humano é a mania de classificar, nomear e rotular. A arte então é um terreno propício para o homo sapiens exercitar a sua criatividade em elaborar nomes e classificações. No cinema, por exemplo, existem tantos subgêneros quanto um filme de zumbi possui figurantes. Um subgênero muito famoso que surgiu durante os anos 70 na Itália são os filmes “giallo”, que em português significa “amarelo", já que esse subgênero buscou inspiração em livros policiais que, na época, tinham capa amarelada.

Os filmes baseados nesse estilo de literatura eram narrativas de terror sobre assassinos em série. Vocês conhecem aquelas histórias de assassinos que possuem a identidade descoberta apenas no último ato depois que metade do elenco já bateu as botas? Pois é, isso é um típico filme giallo. Vocês sabem aquelas histórias em que durante todo o tempo só aparecem as luvas ou a arma ou alguma outra característica qualquer do psicopata? Pois é, isso é um típico filme giallo. Os filmes giallos são considerados os pais dos thrillers de serial killes e o diretor Dario Argento é apontado com um dos pioneiros desse subgênero, portanto, se há anos maníacos se proliferam na tela grande, Argento é um dos culpados.

E Argento é um dos caras que sempre tentou trazer alguma novidade para esse estilo, em 1985, por exemplo, ele colocou pitadas de realismo fantástico na trama de um filme sobre garotas aterrorizadas por um maníaco em um colégio interno. O filme em questão é o amado e odiado “Phenomena”.

Os detratores dessa obra afirmam que Argento criou uma história absurda e com roteiro desconexo. Já os admiradores afirmam que é justamente essa aparente falta de conexão nos eventos que deu ao filme um clima de pesadelo. Para os fãs o resultado é, pelo menos para a época, um filme original e diferente da maioria.

Na trama de Phenomena, uma adolescente (interpretada por Jennifer Connely) vai estudar em um colégio onde ocorre uma série de assassinatos inexplicáveis. Para complicar a jovem descobre que é sonâmbula. E para complicar ainda mais ela também descobre que possui uma estranha conexão mental com insetos. E para complicar muito mais, Argento embalou algumas cenas com trilha sonora do Iron Maiden e Motorhead. Nada contra essas bandas (eu até sou fã de ambas), o problema é que naquelas cenas as respectivas músicas ficaram tão deslocadas quanto Julio Iglesias tocando no carnaval da Bahia.

Apesar do roteiro escalafobético e da incompatibilidade de algumas cenas com a trilha sonora, o longa-metragem “Phenomena” é divertido. Obviamente que não é um filme para todos os públicos. A atual geração “google” que gosta de tudo explicadinho não vai conseguir segurar os bocejos. Apesar disso, Phenomena é uma boa porta de entrada para quem quer conhecer a obra do italiano Dario Argento. É também uma boa oportunidade para quem quer ver a estreia da atriz Jennifer Connely. É interessante ver que ela, na inocência dos seus 14 anos, já demonstrava toda a sua marca de “mulher sofrida” que até hoje ela carrega em seus filmes.

5 comentários:

  1. Tchê, filme já imediatamente incluído na lista de assistíveis em um futuro próximo, se bem que, nem sei se dá pra crer que é um bom filme, quanto a isso, aguardemos.
    Porém, com certeza vai ser possível aprender muito com um estilão de cinema tão ousado quanto este pareceu pelo trailer.

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    1. Com certeza. Os filmes antigos do Dario Argento, ao mesmo tempo que ensinam o que NÃO fazer, também ensimam muita coisa interessante.

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  2. Sei que muitos não concordam, mas eu acho o Phenomena melhor que o "Suspiria", outro cultuado filme do Argento. Pelo menos acho o "Phenomena" mais ágil.

    Quanto aos roteiros desconexos. Acho o Fulci mais exagerado que o Dario Argento, principalmente quando o assunto é violência e tripas esparramadas.

    Outra coisa, acho que a atual geração, pelo menos boa parte dela, consegue sim detectar as qualidade de caras como Argento, Fulci e Bava. Até já vi alguns jovenzinhos estudantes de cinema pararem de falar um pouco de Tim Burton e repararem mais nesses "malditos".

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    1. Na verdade, acho que tanto o Suspiria quanto o Phenomena utilizam elementos parecidos, como mortes violentas (principalmente por parte do elenco feminino) e atuações canastronas (principalmente por parte do elenco feminino). Mas Phenomena me atraiu mais, por ser mais movimentado, por uma estreante Jennifer Connely tentando ser atriz e por abordar uma ideia que mais tarde inspirou um episódio do Arquivo X, que é a ligação mental entre um humano e os insetos.
      É um absurdo, é verdade, mas o realismo fantástico sempre andou de mãos dadas com o terror.

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  3. Uma aula de conhecimento cinematográfico Fernando. heheeh
    Com certeza darei uma olhada no longa, e dar mais uma pesquisada sobre esse gênero que para mim ainda era desconhecido.
    Excelente postagem!!!

    Forte abraço!

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